A luz e o som na obra de Pedro Almodóvar: “A Câmara do Fim da Rua”
Pedro Almodóvar, um dos cineastas mais talentosos da Espanha, retorna ao mercado com uma adaptação cinematográfica de “What Are You Going Through”, o romance de Sigrid Nunez. A vida privada e interior de uma mulher é tema de seu filme mais íntimo e isolado, “The Room Next Door”. Uma ópera prima em inglês que revela o diretor trabalhando em um nível baixo, lute para explorar o choque, a admiração e o impacto por que seu trabalho é conhecido.
Em uma abordagem muito própria, Almodóvar traz as personagens Ingrid e Martha juntas em uma experiência emocionante e filosófica. Julianne Moore e Tilda Swinton entregam performances esmagadoras, desvelando as conversas íntimas entre as duas. As cenas de filmagem cuidadosamente projetadas por Eduard Grau são como uma teia de reflexos, iluminando as verdades da vida pela morte.
No entanto, em alguns momentos, o impacto parece se perder na tradução para o inglês. A narrativa oscila entre a sublimidade e a apatia, como se estivesse preso no purgatório, construindo em direção à excelência apenas para ser silenciado por escolhas afetadas. É possível notar alguns lapsos de tom e diálogo que criam uma experiência irregular.
Swinton e Moore, entretanto, dão vida a suas personagens de maneira indescritível, projetando mundos de empatia e indiscrição nos mínimos movimentos e gestos. O papel de John Turturro, como um palestrante engraçado sobre mudanças climáticas, é uma boa nota. A trilha sonora de Alberto Iglesias é uma deliciosa e melancólica abertura para o som.
Almodóvar sempre conseguiu se manifestar com estilo, criando cenas de amor, drama e filosofia em seu filme. Nesse sentido, “The Room Next Door” é mais um capítulo em sua jornada em direção à excelência, ainda que com notas de erro e perdas em volume.
