Criado por Todd A. Kessler, The New Look Season 1 é uma espécie de mistura. Com um olhar editorializado e brilhante sobre a história da moda e a iconografia, a série é elegantemente vestida, mesmo que não tenha um coração vital e pulsante. Apesar das provações e tribulações desses personagens, há uma falta crítica de introspecção. A escrita está muito disposta a descansar na beleza. Contando a história da ascensão de Christian Dior à fama, a série dramática tem muitas notas emocionantes. Mas a série nunca chega a nada mais significativo do que um filme biográfico simples.
A série segue Christian Dior (Ben Mendelsohn) durante a Segunda Guerra Mundial e depois quando ele cria sua linha de moda. A linha em questão passaria a ser conhecida como “New Look”. A montagem do cenário é comentada por Dior diante de um público estudantil e Coco Chanel (Juliette Binoche) para um entrevistador. Ambas têm opiniões opostas em relação à moda feminina e viveram vidas diferentes durante a guerra na França ocupada. Chanel zomba da Dior, é mordaz e desagradável. Ela afirma que a Dior arruinou a alta costura francesa.
Mas a moda é apenas uma pequena parte da série geral. O New Look busca encontrar verdades por trás desses dois ícones. A moda deles destaca suas diferenças desde o início. Dior buscou extravagância e beleza em seus designs, especialmente no pós-guerra, para devolver a luz às trevas. Seus designs acentuavam a feminilidade com cinturas marcadas e saias rodadas. Em comparação, Chanel favoreceu a acessibilidade, a simplicidade e a acomodação do movimento. Esses ideais alimentam as performances de Mendelsohn e Binoche. O primeiro interpreta Dior tão reservado e tenso quanto guarda seus muitos segredos. Enquanto isso, Binoche descansa e preenche o espaço.
Mais uma vez, porém, The New Look dificilmente destaca a moda. Em vez disso, a série se concentra na vida interior dos personagens. A irmã de Dior, Catherine (Maisie Williams), é uma combatente da resistência francesa que é capturada e enviada para um campo de trabalho. Enquanto isso, Chanel faz do Ritz sua casa com seu amante nazista. A primeira temporada do New Look oferece mais informações sobre sua vida durante esses anos, enquanto ela lutava pela sobrevivência minando sua alma. Astuta, egoísta e autodidata, ela é uma figura complicada. No entanto, a série muitas vezes a perdoa, apesar de suas muitas transgressões. Seu anti-semitismo é retratado na maneira como ela se envolve com os nazistas para satisfazer seus desejos e necessidades, mas a série também se esforça para destacar o quanto ela falava sobre os direitos das mulheres, como se isso pudesse ajudar a equilibrar seus crimes.
Tudo é muito seguro. A brutalidade da guerra é apenas parcialmente vista, carecendo de uma direção decisiva. Em vez disso, a produção do filme mistura brilho e instabilidade, criando algo instável, mas artificial, apesar do primeiro tentar adicionar um toque nervoso à série. No início da série, uma lista de nomes de estilistas famosos aparece na tela em fontes opulentas e é um forte indicador do vazio em que esta série se baseia. Tudo parece bonito, mas tem um efeito semelhante ao de uma publicação de moda. Onde está a luz e a humanidade para fazer disso algo mais do que uma bela imagem?
As performances fazem o possível para dar ao New Look uma centelha de vida. Mendelsohn é, sem surpresa, excelente. Ele traz o nível certo de gravidade para um homem que vive sua vida através da beleza de seu trabalho. Enrustida, Dior é incapaz de se envolver em romance além da segurança das sombras. Mendelsohn apresenta uma performance que implica que a verdade de Dior veio de suas criações. Da mesma forma, mesmo quando o roteiro hesita sobre como deseja retratar Chanel, Binoche mantém a compostura como uma mulher cujo sucesso é conquistado com dificuldade. Ela é uma confusão de contradições, furiosa porque um amante a teria deixado, apesar de tê-lo preparado para ser capturado.
Maisie Williams é adequada, mesmo que tenha dificuldade com o sotaque francês. Catherine é de longe uma das personagens mais intrigantes da série. Da mesma forma, John Malkovich como Lucien Lelong, ex-empregador de Dior, oferece uma série de sutilezas a um personagem que teme por sua sobrevivência e sente o peso da culpa pelo que isso significa. Todos esses personagens são maravilhosamente complicados, já que Dior e Lelong desenham vestidos para esposas e namoradas nazistas durante a guerra. Mas a série nunca combina as ricas possibilidades dos personagens com o vigor necessário. Tudo tem muito brilho.
Não é novidade que os figurinos são deslumbrantes. Tanto as recriações do trabalho da própria Dior quanto os figurinos dos próprios personagens brilham. E tudo isso contribui melhor para a caracterização do que a escrita. O traje retrata imaculadamente esses personagens e seus estilos distintos com talento e atitude, garantindo que entendemos suas personalidades, mesmo enquanto a escrita se esforça para encontrar ângulos atraentes e lisonjeiros.
A primeira temporada do New Look sem dúvida oferecerá algo aos aficionados da moda e àqueles que buscam uma visão mais aprofundada dos titãs do designer. Mas a série sofre com as armadilhas biográficas que não conseguem animar ou envolver a história enriquecedora que conta. Há muito material aqui, mas o produto final é apático.
Os episódios 1-3 do New Look já estão disponíveis no Apple TV + com novos episódios todas as quartas-feiras.
O novo visual, temporada 1
6/10
DR
A primeira temporada do New Look sem dúvida oferecerá algo aos aficionados da moda e àqueles que buscam uma visão mais aprofundada dos titãs do designer. Mas a série sofre com as armadilhas biográficas esperadas que não conseguem animar ou envolver a história enriquecedora que conta.
