Never Let Go parece uma luta entre um filme de suspense atmosférico de alta tensão e um estudo de personagem lento que mal reconcilia as duas metades. O diretor Alexandre Aja não é estranho ao gênero cinematográfico. Halle Berry também não. Aja deixou sua marca no terror em filmes como Crawl e seu remake de The Hills Have Eyes, enquanto Berry percorreu toda a gama. A franquia X-Men, John Wick – Capítulo 3: Parabellum, The Call e até mesmo um pequeno papel em uma sequência de Kingsman provam que ela é bem experiente neste campo. Uma colaboração de Alexandre Aja e Halle Berry deve ser uma combinação perfeita e, para ser justo, sua equipe joga com os pontos fortes de ambos. Mas nunca se encaixa totalmente.
Never Let Go acompanha uma mãe (Halle Berry) e seus filhos gêmeos, Nolan (Percy Daggs IV) e Sammul (Anthony B. Jenkins). O trio vive em um deserto desconhecido, onde um mal malicioso que muda de forma ataca todos, exceto a casa pitoresca em que residem. Para se aventurar fora de casa, os três precisam ser amarrados à casa por uma corda grossa. Se o mal os tocar, eles correm o risco de serem possuídos. Para manter sua existência pitoresca intacta, eles devem seguir uma regra: nunca deixar ir.
Se há uma coisa que Never Let Go tem de sobra, é atmosfera. O diretor de fotografia Maxime Alexandre enfatiza a vastidão da floresta. A trilha sonora de Robin “Rob” Givens oscila entre sintetizadores monótonos e música de piano tilintante, mantendo uma vibração instável por toda parte. Além disso, o “mal” do qual Never Let Go depende é apropriadamente incognoscível. Isso o torna ainda mais assustador. O mal, visto principalmente da perspectiva da personagem de Halle Berry, pode assumir qualquer forma. Às vezes, isso é tão inócuo quanto um animal fora do alcance da corda, ou é uma mutilação grotesca e vomitada de um ser humano renderizada por efeitos aparentemente práticos.
Uma questão persistente em Never Let Go é se o mal é real. Alexandre Aja nos mantém na dúvida ao prender o público firmemente na perspectiva de Berry durante a maior parte das sequências de terror. Mas o verdadeiro crédito vai para a performance. Há muita coisa escondida no que Halle Berry está fazendo aqui. Suas ações podem ser lidas de várias maneiras conflitantes. Mãe superprotetora ou sequestradora doente mental de seus filhos? Reclusa traumatizada ou sobrevivente competente? Essas questões se manifestam de forma semelhante nas performances de Percy Daggs IV e Anthony B. Jenkins. Sua interpretação desses irmãos briguentos pode mudar de cena para cena.
Onde Never Let Go quase deixa a bola cair é no roteiro. Os roteiristas Kevin Coughlin e Ryan Grassby claramente tinham um conceito vencedor, talvez algumas batidas de história sólidas, mas elas não fluem juntas de forma coesa. O ritmo é realmente matador. É audacioso para um filme rotular seus atos sob títulos de capítulos. Encher esses capítulos com material substancial é outra questão completamente diferente. O segundo ato de Never Let Go desacelera até parar, onde as rotinas diárias já estabelecidas e os conflitos familiares se repetem ad nauseam. A tensão atinge um platô. Não há nada novo para se agarrar por uns bons 20 minutos ou mais.
Decepcionantemente, muita coisa foi claramente deixada na sala de edição. Grandes dicas sobre a história da personagem de Halle Berry são apresentadas, apenas para nunca serem elaboradas. Em um filme com várias plantas e recompensas bem-sucedidas, ver essas questões essenciais deixadas sem resposta — e nem mesmo sem resposta de uma forma fascinante — é apenas um assunto inacabado. Especialmente quando Never Let Go sai do seu caminho para dar respostas ao seu mistério mais pertinente em seu terceiro ato.
Esse terceiro ato parece ser onde Alexandre Aja se sente mais confortável. Never Let Go aumenta o fator susto fortemente no final, dando a resposta necessária ao seu mistério principal sem arruinar a atmosfera. Aja termina com tanta confiança que a jornada vale a pena. Mas só isso. Never Let Go não é a colaboração de Halle Berry/Alexandre Aja para explodir o telhado, nem é um erro total. No geral, Never Let Go é um chiller decente cuja direção e desempenho muito acima da média são derrubados por um roteiro malfeito e uma edição desconcertante.
Never Let Go está em cartaz nos cinemas.
Nunca deixe ir
6/10
Resumo
Never Let Go é um filme de suspense decente, cuja direção e atuação acima da média são prejudicadas por um roteiro malfeito e uma edição desconcertante.
